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Ophir Loyola terá programa de tratamento de lábios leporinos
02/01/2012
Eliseu Dias / Agência Pará
O médico Jorge Reis, chefe do serviço de fissurados do HOL, deu a boa notícia à mãe da pequena Leidiane.

O Pará terá, neste ano, uma política pública para tratar da população paraense que sofre de fissuras nos lábios, os chamados lábios leporinos. A fissura labial é a separação do lábio superior em duas partes, algo que atinge um em cada 600 bebês no Brasil e na Amazônia atinge um a cada 500 nascidos vivos. Hoje no Pará o único hospital público que faz o tratamento é o Ophir Loyola, que atende mensalmente cerca de 400 a 500 pacientes em todos os estágios do tratamento.

O chefe do serviço de fissurados do Hospital Ophir Loyola, Jorge Reis, diz que hoje são operados cerca de 10 a 15 pacientes por semana, número insuficiente, já que há uma demanda reprimida de 100 a 125 guias de operação. A equipe de serviço de fissurados tem cirurgiões plásticos, otorrinos, anestesistas, fonoaudiólogos, nutrição, enfermagem e serviço social. O médico explica também que as pessoas que têm lábios leporinos não possuem problema mental, é muito raro que isso ocorra. O cirurgião também falou sobre o tratamento. ?Quanto mais cedo a operação acontecer, melhor, com três a quatro meses de vida a criança deve operar da fissura labial e apartir dos 12 a 18 meses, da fissura palatina, assim podemos conseguir resultados ótimos tanto na estética e principalmente em relação a fala, já que o grande estigma do fissurado é a voz? explicou o doutor.

Antes de chegar à operação, o paciente passa pelo serviço social, pediatria, nutrição e exames, depois são feitos acompanhamentos de outras especialidades como a fonoaudiologia e odontologia. A fissura palatina ocorre quando há uma abertura direta entre o palato, ou céu da boca, e a base do nariz. Durante a gestação, o maxilar superior do bebê não se fecha como deveria, deixando uma falha. A fissura palatina é um problema mais grave que a fissura labial, embora ambos requeiram uma cirurgia corretiva. A fissura pode ser causada pelo fator genético e também pela falta de ácido fólico no pré-natal, uso de abortivos e o uso de drogas da floresta, no caso da região amazônica.

A criação de uma política pública para o tratamento de fissurados vai fortalecer o trabalho que é realizado no HOL e vai descentralizar o atendimento para o interior do Estado, já que a maioria dos pacientes vem de outros municípios e até de outros estados, como Maranhão, Amazonas e Tocantins. Hoje no Brasil há três hospitais de referência e estão localizados no Sul e Sudeste. Jorge Reis já conversou com o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, e já está trabalhando na apresentação do programa à Sespa.

Leidiane Leal é de Limoeiro do Ajuru, no baixo Tocantins, e tem um filho de dois meses. Ela trouxe seu filho para a primeira consulta e ficou muito feliz com as respostas dadas pelo médico. ?Saio alegre por saber que meu filho vai poder ser operado né, porque eu estava muito triste pensando que não existia essa cirurgia, mas agora vou realizar meu sonho de ver meu filho operado?, comemorou Leidiane. O filho dela, que tem fissura labial, vai passar por toda uma análise e depois será marcada sua cirurgia.

Fonte: Agência Pará