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Cosanpa combate depredações na rede de abastecimento da capital
10/02/2012
Cláudio Santos / Agência Pará
A macrodrenagem que a prefeitura realiza na Bacia da Estrada Nova está entre as ações que causaram problemas a rede da Cosanpa
Cláudio Santos / Agência Pará
A operária Cléo dos Santos confirma que os problemas começaram com a obra na área
Cláudio Santos / Agência Pará
O aposentado José Pereira, afirma que obras na Bernardo Sayão interrompem abastecimento

A Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) identificou, na capital, vários pontos na sua rede de distribuição de água e de coleta de esgoto que estão sendo depredados por obras públicas e de empresas privadas. Na maioria das vezes, sem ser comunicada pela empreiteira responsável pela obra, a companhia recebe denúncias de moradores que são prejudicados com a intervenção no sistema. Nestes casos, a Cosanpa notifica a Polícia, recupera o sistema imediatamente e cobra os custos do conserto da empresa que realizou a intervenção sem notificá-la.

O diretor de operações da companhia, Antônio Crisóstomo, diz que atualmente a Cosanpa possui uma lista de obras que ocorrem na cidade e que já prejudicaram o sistema de abastecimento do órgão. Muitas são obras realizadas por empreiteiras contratadas pela Prefeitura de Belém e por operadoras de telefonia. ?Nós sabemos que as obras são importantes para a cidade, mas o que não pode ocorrer é a intervenção sem a Cosanpa ser consultada em relação ao local que precisará ser escavado. O que acontece é que nós não somos procurados e, na maioria das vezes, a nossa rede é depredada pela obra, causando sérios transtornos para a população?, explica.

Entre as obras identificadas pela Cosanpa está a de macrodrenagem da Bacia da Estrada Nova, que está sendo executada pela Prefeitura da capital. Segundo o diretor, a Cosanpa foi procurada apenas por uma das duas empreiteiras que realiza a obra nesta área de Belém. ?A empresa que faz o serviço no canal da Travessa Quintino não nos apresentou as intervenções que faria e, constantemente, danifica o sistema de abastecimento de água do local?, alerta Antônio.

Os moradores da travessa confirmam os prejuízos. O aposentado José Pereira, de 69 anos, mora na esquina da Bernardo Sayão com a Quintino. Ele afirma que desde que começaram as obras no canal, o abastecimento de água na casa dele é interrompido toda semana. ?A gente vê tudo arrebentado aí. Parece que eles não têm cuidado com nada. Um dia desses a Cosanpa reparou canos que tinham sido quebrados, mas eu acho que já quebraram de novo?, conta José, que na manhã desta sexta-feira, 10, estava sem água na sua residência.

A operária Cléo dos Santos, que há mais de 20 anos mora no início da travessa Quintino Bocaiúva, também afirma que os problemas de abastecimento começaram junto com as obras de macrodrenagem no local. ?Pelo menos uma vez por semana a gente fica sem água. Antes da obra não existia esse problema. Quando tinha a gente era avisado da interrupção. Agora a gente é pego de surpresa?, diz.

Além das obras executadas por empreiteiras contratadas pela Prefeitura, a Cosanpa também tem problemas com obras realizadas por operadoras de telefonia. Há cerca de duas semanas, segundo Crisóstomo, uma operadora de celular perfurou um sistema de abastecimento da companhia na avenida Júlio César, causando interrupção no abastecimento em três bairros da capital ? Val de Cans, Sacramenta e Pedreira.

Antônio ressalta que as depredações causam diversos prejuízos ao consumidor. ?Há casos em que o abastecimento de água precisa ser interrompido para que possamos realizar o conserto. Sem falar que essas intervenções podem prejudicar adutoras e redes tronco (de maior diâmetro), que podem trazer danos ainda maiores, como a paralisação total do abastecimento em vários bairros, como ocorreu há poucas semanas, ou até mesmo provocar alagamentos?, explica o diretor.

A companhia já toma providências para combater as depredações. Há poucas semanas deflagrou junto com a Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), da Polícia Civil, e o Instituto Médico Legal, uma operação no conjunto Gleba I, na Marambaia, de onde recebeu denúncias de que outra obra da Prefeitura, desta vez de drenagem, estava danificando a rede do órgão. Uma inspeção comprovou os danos na rede de abastecimento e de coleta de esgoto, que poderia, inclusive, contaminar a rede de água. Após a constatação, a obra foi embargada, e só foi retomada depois que o município se comprometeu a recuperar a estrutura.

O diretor de operações ressalta que, ao constatar um caso de depredação, a Companhia notifica a Polícia, faz os reparos necessários imediatamente, para não prejudicar o serviço à população, e monta um processo jurídico para cobrar da empresa ou órgão responsável os custos do conserto.

SERVIÇO:

A Cosanpa disponibiliza dois telefones para a população da capital realizar denúncias e reclamações sobre o abastecimento de água ou coleta de esgoto: Central de Atendimento ? 0800.707.1195; Centro de Operações (24h) ? (91) 8886.7419 

Fonte: Agência Pará