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Governo reduz fila para tratamento de hemodiálise no Estado
04/08/2011
Eunice Pinto / Agência Pará
O governo instalou 81 máquinas no interior e vai ampliar também a capacidade em Belém, com 41 novos equipamentos
Cláudio Santos / Agência Pará
A secretária adjunta da Sespa, Rosemary Góes: levantamento junto ao Ministério da Saúde para acelerar também o número de transplantes

 A agonia dos pacientes renais crônicos do Pará que aguardam na histórica fila de hemodiálise vai ser reduzida. O tratamento, que antes contava com poucas máquinas, está sendo ampliado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sespa). Até mês que vem, 112 pessoas que ainda estão na lista de espera para a hemodiálise em Belém devem ser atendidas pela nova estrutura, que já está em fase de implantação na capital.

Nas outras regiões paraenses, onde a Sespa já instalou novas máquinas em diversos municípios, diminuíram as dificuldades para conseguir o tratamento. A notícia é comemorada pela Associação dos Renais Crônicos do Pará. A presidente da entidade, Belina Soares, afirma que a ampliação é um grande avanço na saúde do Estado. ?Para nós, renais crônicos, essa ação representa a vida, especialmente no interior. Até alguns anos atrás, pessoas tinham que deixar o Estado para poder se tratar?, diz.

Segundo a secretária adjunta da Sespa, Rosemary Góes, em janeiro deste ano, uma série de problemas foi constatada, entre eles a fila de espera com 280 pacientes para a hemodiálise. Além da extensa lista, a Sespa identificou a situação complicada de 40 pacientes renais crônicos, que praticamente ?viviam? no Hospital das Clínicas Gaspar Viana.

Emergência ??Esses pacientes estavam há um ano e três meses internados para fazer hemodiálise. Com não havia vaga durante o dia, eles faziam o tratamento de madrugada. Uma situação muito complicada para eles, que praticamente estavam vivendo no hospital?, avalia. Segundo ela, para resolver este problema de imediato o governo fez uma chamada pública para contratar uma clínica particular que atendesse o grupo. ?Hoje, enquanto estamos ampliando a estrutura de hemodiálise em Belém, eles são atendidos por essa clínica?, assegura.

Outro problema verificado pela Sespa era a falta de uso de dez máquinas no município de Bragança, nordeste paraense. ?Esses equipamentos foram repassados à cidade no fim da primeira gestão do governador Simão Jatene e, desde então, as máquinas nunca foram instaladas para uso dos pacientes. Já colocamos esses equipamentos em funcionamento?, continua Rosemary Góes.

A ampliação do tratamento de hemodiálise está ocorrendo em todo o Pará. São 81 novas máquinas completando a quantidade de equipamentos no interior, distribuídas em Altamira (16), Redenção (22), Santarém (37) e Bragança (dez). Rosemary Góes afirma que esta nova estrutura, que já está em funcionamento no interior, zerou a fila de espera nessas localidades.

Ampliação ?Sebastião Teixeira, 55 anos, é renal crônico e mora em Redenção, no sul do Estado. Ele passou um ano e meio fora, em Goiânia (GO), para fazer hemodiálise, uma vez que na sua cidade não conseguiria o tratamento. ?Isso para mim é uma recompensa, pois passei mais de um ano longe da minha família, de meus pais, meus filhos. Foi muito difícil. Lutei muito para voltar para Redenção?, conta o paciente, que hoje continua o tratamento no Pará. ?Fui muito bem recebido no Hospital Regional. Para mim isso é o retorno dos impostos que pagamos?, acredita.

Assim como no interior, a infraestrutura de hemodiálise na capital e região metropolitana também está sendo ampliada. Em Belém, serão 48 máquinas; 34 delas funcionarão na clínica satélite de hemodiálise do Gaspar Viana, que está em fase de conclusão no bairro Batista Campos, no antigo hospital da Polícia Militar.

Segundo a secretária adjunta, a clínica deve entrar em funcionamento até setembro, período em que o governo espera zerar a lista de espera pela hemodiálise na capital. Ainda em Belém, a Santa Casa de Misericórdia deve receber mais doze máquinas para o tratamento preferencial de crianças. A secretária adianta que 16 crianças internadas no Gaspar Viana devem ser atendidas no novo espaço, que oferecerá um ambiente mais humanizado para esses pacientes.

Ananindeua também está na lista de ampliação do tratamento de hemodiálise. Serão 20 máquinas no hospital Camilo Salgado, atendendo os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Até o fim do ano, a Sespa planeja ampliar também a infraestrutura dos municípios de Castanhal, que conta com 26 máquinas, Marabá, que atende com 28, e Marituba, que tem 23. Neste mesmo prazo, o município de Ulianópolis, no sudeste do Estado, deve receber 20 máquinas para o tratamento.

Transplantes ? Paralelamente à ampliação da rede de tratamentos nefrológicos, a Sespa já solicitou ao Ministério da Saúde medicação para atender os 112 pacientes que devem ser beneficiados com a estrutura que está em implantação na capital e região metropolitana. Além disso, explica Rosemary Góes, um levantamento está sendo feito junto à Central de Transplantes para verificar como está o atendimento aos pacientes.

Neste primeiro trimestre já foram feitos 30 transplantes, contra apenas dois do mesmo período do ano passado. Para assegurar a eficácia do tratamento dos renais crônicos, a secretaria de Saúde vai descentralizar as autorizações de medicamentos, que antes eram emitidas em Belém, mediante aprovação de médicos auditores. ?Estamos treinando médicos em todas as regiões do Estado, a fim de agilizar essa etapa do tratamento de renais crônicos?, garante Rosemary Góes.

Para prevenir a população contra doenças renais, uma parceria está sendo firmada entre a Sespa e a Sociedade Paraense de Nefrologia para a formulação de um protocolo que será divulgado nas próximas ações do governo. Neste material, segundo a secretária, haverá informações importantes para a prevenção.

Fonte: Agência Pará de Notícias