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João Bosco Maia lança “Olhos de Ressaca” ao som de blues e jazz
05/07/2019
Eduardo Rosas
João Bosco Maia e Jorge Panzera
Eduardo Rosas
O público prestigiando o lançamento do livro editado pela IOEPa
Eduardo Rosas
Apresentação do músico e violonista Rafael Guerreiro e da cantora Zara Hir
Eduardo Rosas
Selfie com João Bosco Maia

O escritor João Bosco Maia lançou na noite da última quinta-feira (04), no espaço Ná Figueredo, a sua décima obra intitulada “Olhos de Ressaca”, uma narrativa contada sob a perspectiva da versão feminina da personagem Capitu, que se torna a narradora protagonista na obra de ficção do autor paraense para explorar as memórias vividas ao lado do personagem Bentinho na versão do clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis.

A noite foi regada a sessão de autógrafos do livro e flashes com o autor, além de muito jazz, blues e rock com apresentação do músico e violonista Rafael Guerreiro, da cantora Zara Hir e da banda Baixo Reduto, formada pelo  guitarrista Carlos Ruffeil, o baterista Henrique Penna e o baixista/tecladista Caco Darwich.

Entre os que prestigiaram o lançamento de “Olhos de Ressaca” estavam a representante da Academia Paraense de Letras (APL), Izabel Benone, parentes, leitores e amigos do autor, além dos escritores paraenses Paulo Nunes, Daniel Leite, Mário Zumba, Juracy Siqueira, Luciana Brandão e Cláudio Cardoso e dos jornalistas Guilherme Barra e Lárazo Araújo.

A Imprensa Oficial do Estado foi representada pelo presidente Jorge Panzera, o coordenador da editora pública, Rodrigo Moraes e o assessor Moisés Alves. “João Bosco é um escritor paraense com seis livros premiados, dos dez livros que já lançou, e “Olhos de Ressaca” é um deles. Além de cumprir uma missão institucional, com a publicação do livro em parceria com a APL, estamos aprofundando a ideia da nossa editora. E com certeza o livro estará circulando pela Feira do Livro, em Belém, assim como os outros salões de livros em Parauapebas, Marabá e Santarém”, informou Panzera.

“Pra nós é uma grande satisfação não só fazer o lançamento do livro do Bosco que faz referência a um clássico da literatura brasileira, mas também por ter sido premiado pela Academia Paraense de Letras. Então, nós vamos reforçando o desenvolvimento da literatura do Pará, com autores reconhecidos e ao mesmo tempo estreitando a parceria com a APL, e todos os autores com selo da Imprensa Oficial terão seu momento de lançamento no nosso estande da Feira Pan-Amazônica do Livro, em agosto, em Belém”, comentou Rodrigo Moraes, da editora pública da Imprensa Oficial.
A obra “Olhos de Ressaca” conquistou o Prêmio Samuel Wallace Mac-Dowell, da Academia Paraense de Letras (APL), em 2018. A publicação tem 170 páginas e foi impressa na gráfica da Imprensa Oficial Estado do Pará.

Para o autor, o livro é um momento de consolidação de muito tempo investido escrevendo. “É um ato que nunca termina. A gente imagina que deu um ponto final, mas começam a aparecer novas ideias”, comentou ele, ao dizer que o leitor que adquirir “Olhos de Ressaca” terá que fazer seu próprio questionamento a respeito da obra. “Como diz Larissa no prefácio, o leitor poderá ter ou não um olhar negativo pela ousadia de mexer com um clássico de Machado de Assis, mas é melhor tirar as próprias conclusões na leitura”, comentou ele.
João Bosco Maia nasceu em Ananindeua, no Pará. É autor dos romances "Olhai por nós", "As cartas anônimas de Robledo", o "Folhetim das Sanchez (do luar às flores)", "A circunscrição do breu" e dos premiados "Memórias quase póstumas de um ex-torturador", "Sob o silêncio das mangueiras" e "666 - o tragicômico percurso". Escreveu ainda o livro de contos "O ciclo dos velhos pastores" e a também premiada dramaturgia "Após as três badaladas".

Críticas - Autor de dezesseis obras publicadas, o escritor Daniel Leite, disse que é uma satisfação ver o escritor João Bosco inverter o foco narrativo do clássico de Machado de Assis. “Eu acho um livraço porque investe a perspectiva narrativa. Não é mais o discurso do homem que se cristalizou no século XIX e que insiste em se cristalizar no século XXI. Temos que lembrar que o Brasil é o quinto país do planeta com maior índice de feminicídio. Então, João Bosco vem invertendo o ônus da prova. É o discurso de uma mulher pela perspectiva de uma resistência de linguagem”, comentou ele.

Daniel Leite está concluindo o doutorado na Universidade de Lisboa sobre uma análise comparativa entre as três personagens femininas de clássicos da literatura mundial mortas por seus autores: Capitu, do Machado de Assis, Emma Bovary, de Gustave Flaubert e a Luísa, do Primo Basílio, do Eça de Queiroz.

“A minha tese objetiva demonstrar que esses romances não se sustentam como romances de adultério, como ficaram cristalizados no século XIX, mas de percepção da mulher casada. Se nós percebermos bem, o que une essas três mulheres como fator essencial é a morte. São três mulheres que foram silenciadas pelos narradores. Capitu é exilada e morre na Suíça, Emma Bovary morre envenenada e Luísa tem uma morte de gênero, morre careca”, comentou. 

Serviço: No próximo domingo (07), João Bosco também fará o lançamento de “Olhos de Ressaca” na Banca do Escritor Paraense, localizada na Praça da República, com sessão de autógrafos e show de violão a partir das 9h. O livro “Olhos de Ressaca”, premiado pela de João Bosco Maia, 170 páginas, premiado pela Academia Paraense de Letras e publicado pela Imprensa Oficial do Estado do Pará, custa R$ 40.

Mais informações: (91) 99925-9857

Texto: Julie Rocha
Fotos: Eduardo Rosas

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